A Progressão do Terror nas Telas: Do Expressionismo Alemão aos Filme de Terror Modernos

  O Gabinete do Dr. Caligari e Frankenstein - Filmes de Terror

O gênero de terror cinematográfico reflete as aflições da condição humana — além disso, como qualquer forma de arte, ele se transforma junto com a sociedade. Desde os contrastes sombrios do expressionismo alemão até a violência estilizada dos filmes de mortes violentas atuais, o terror se reinventa, mas mantém sua característica fundamental: evocar medo, inquietação e, por que não, curiosidade. 

Vamos explorar as passagens obscuras da trajetória do horror nas telas.

 
 O Berço do Medo: Expressionismo Alemão


Durante a década de 1920, a Alemanha que se recuperava da Primeira Guerra Mundial encontrava-se repleta de incertezas. É nesse ambiente de tensão que surge o expressionismo alemão, um movimento artístico que utilizava cenários distorcidos, sombras intensas e ângulos absurdos para refletir o tumulto interno dos personagens.

Ali, o horror descobria sua primeira forma de linguagem visual. Produções como O Gabinete do Dr. Caligari (1920) e Nosferatu (1922) não apenas definiram uma era — elas ajudaram a formar a estética do terror que se seguiria. O medo não se limitava apenas aos monstros, mas impregnava toda a atmosfera. A ameaça era de ordem psicológica, subjetiva, quase como um sonho.


A Idade de Ouro dos Monstros: Universal Studios


Durante as décadas de 1930 e 1940, o gênero de terror passou a ter uma nova identidade — ou melhor, inúmeros rostos marcantes. A Universal Studios transformou figuras literárias em estrelas do cinema: Frankenstein, Drácula, A Múmia e O Lobisomem tornaram-se ícones de uma nova fase do pavor, agora em Hollywood.

Esses seres monstruosos refletiam muito sobre a sociedade do período — sobre uma ciência sem limites, sobre o estranho e desconhecido, sobre a dualidade do ser humano. Era um medo mais tradicional, sim, mas ainda repleto de simbolismos sociais e religiosos.

Frankenstein, Dracula, Bela Lugosi, A Múmia - Filmes de Terror


O Terror Atômico e o Temor Exterior


Com o término da Segunda Grande Guerra e o início da Guerra Fria, a preocupação se transformou: a ameaça passou a ser externa — proveniente de nações estrangeiras, de transformações, de invasões extraterrestres. 

Longas como O Dia em que a Terra Parou (1951) e Godzilla (1954) apresentavam um medo mais ligado à política, um retorno direto à paranóia nuclear e à agitação global.

Simultaneamente, começaram a aparecer os primeiros indícios do terror psicológico, com Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, abrindo espaço para uma nova modalidade de horror: aquele que reside na psique humana.

Psicose, Gozilla, Lobisomem - Filmes de Terror




 

 

 

 

 

 

 


Os Anos 70 e 80: A Revolta do Gênero

Desde a década de 70, o terror começou a tomar direções mais audaciosas. A censura foi diminuindo, permitindo que os diretores abordassem assuntos mais intensos e impactantes.

Películas como O Exorcista (1973) e O Massacre da Serra Elétrica (1974) simbolizaram uma mudança: o medo se tornou mais direto, agressivo e verossímil.

É nesse contexto que surge o slasher, um subgênero onde jovens desatentos são caçados por criminosos implacáveis. Halloween (1978), Sexta-Feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984) estabeleceram um novo modelo: o monstro humano que não é facilmente destruído — ou que sempre retorna, ávido por sangue.

A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13 e Halloween -Filmes de Terror



 

 

 

 

 


O Novo Milênio e o Terror Refinado


No século XXI, o gênero do terror passou por uma renovação. No meio de franquias de medo acessível (Atividade Paranormal, Jogos Mortais) e referências  aos anos 80 (como por exemplo, Stranger Things), surgiu uma nova geração de cineastas com visões mais autorais e estilísticas.

O que se denomina "terror refinado" trouxe obras como A Bruxa (2015), Hereditário (2018) e O Farol (2019). Nesses filmes, o terror é desenvolvido gradualmente, com uma profundidade psicológica e uma crítica social incorporada. A estética é importante, mas o subtexto é ainda mais relevante.
Essa nova fase não ignora o que veio antes — ela estabelece um diálogo com o passado, prestando homenagem, mas também desconstruindo-o.

A Bruxa, O Hereditário, O Farol - Filmes de Terror


E o Porvir do Medo?

Uma coisa é certa em relação ao gênero de terror no cinema: ele está sempre em movimento. A cada nova década surgem criaturas diferentes, novos medos e maneiras inovadoras de provocar pavor. Seja através de um criminoso humano, uma força sobrenatural ou uma crise existencial sutil, o terror permanece como um dos gêneros mais vibrantes — e mais autênticos — da produção audiovisual.

Pois, no final das contas, o terror nos força a confrontar nosso interior. E o que encontramos lá pode ser muito mais aterrorizante do que qualquer ser apresentado na tela.

 

 Por: Alessa | Mortalha Cult

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